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dimanche, janvier 22, 2012
mercredi, janvier 26, 2011
samedi, janvier 22, 2011
A minha cabeça enche-se de coisas que não consigo largar. Pedaços que pouco importam; porém, preencho-me de mil e um passados, sem espaço para um futuro demasiado promissor, sem espaço para um presente que se me afigura risonho. O teu sorriso parecia esconder a salvação do mundo, e eu perdi-me nele. Toda a gente deseja ser encontrada, mais tarde ou mais cedo, e tu já deverias saber disso. Perdemo-nos também, e já se avista o tempo certo para voltar, cortar caminho, regressar à vida de antes. Às vezes penso que sou como o homem que rouba e engole os corações dos gatos. Também eu roubo corações, muitos e demasiados. Hei-de aprender a receita, domina-la-ei na perfeição! Desta vez, cortaremos cabeças.
Too pretty for your damn good. That's why you destroy everything you touch.
vendredi, janvier 21, 2011
I'm feeling rough, I'm feeling raw, I'm in the prime of my life
I'll move to Paris, shoot some heroin and fuck with the stars.
This is our decision to live fast and die young
We've got the vision, now let's have some fun
Yeah it's overwhelming, but what else can we do?
We're fated to pretend
We're fated to pretend
To pretend
I'll move to Paris, shoot some heroin and fuck with the stars.
This is our decision to live fast and die young
We've got the vision, now let's have some fun
Yeah it's overwhelming, but what else can we do?
We're fated to pretend
We're fated to pretend
To pretend
Time To Pretend, MGMT
mardi, janvier 18, 2011
deixas-me numa posição delicada. tentador, aquilo que me ofereces a escolher. inspiração a troco de um amor que não sei bem ainda onde vai ter. se nos levar a paris, aceito. vamos para o topo da torre eiffel e eu levarei comigo umas cesta cheia de croissants. é uma promessa. e as que envolvem comida são mais divertidas e deliciosas. as minhas preferidas. promete-me que o nosso amor será, também ele, um croissant. ainda é cedo e ainda mo podes prometer, enquanto eu resisto e os nossos corações são jovens. enquanto a massa folhada permanece estaladiça, resplandecente tentação, digna de realce em qualquer vitrina de renome. obrigada pelos teus silêncios. fujo ao destino dos amantes sem dinheiro. quero ao máximo passar despercebida, só mais um amor, mais um olhar; meus olhos não são peixes verdes, nunca me digas que meus olhos são peixes verdes. percebe agora porque me abstenho de te dizer o que quer que seja em determinados momentos: não desejo gastar as palavras. não desejo esgotar este calor que me ameniza os calafrios do corpo, doces arrepios de quem possui mente aturdida pelos diversos dissabores que a vida dá e não dá. cada palavra custa a sair, não penses que é fácil. penso bem em cada uma e examino-as vezes sem conta, ponderando se serão suficientemente boas para ti. milhares de vozes oiço, vozes de triliões de pessoas iguais a nós. com sentimentos tal e qual os nossos. pessoas que vão aos mesmos sítios que nós, pessoas que comem ao nosso lado, pessoas que pensam nas mesmas coisas que nós. e, interrogo-me, saberão todas essas pessoas que o amor acaba mais depressa do que aquilo que imaginam? talvez não.
de certeza que não. mas... agora que te encontrei... o que posso eu fazer?
vendredi, décembre 31, 2010
avisto-a de relance e adivinho-a imediatamente, prevendo todos os seus traços modestos e curvilíneos, o corpo delineado com uma perfeição virginal. saboreio-a mentalmente, provando os gomos, citrino intocável, levemente ácido como quem não espera outra coisa do planalto abstruso que é a vida. faz-me divagar e fantasio, primeiro de forma leve, tímida, regida pela inocência, mas depressa o pensamento escorre de forma inusitada, viscosa. acrescento-lhe um não sei quê de sal, receita passada escrupulosamente de geração em geração, como um anel de safira. os mesmos termos, a dicção acentuada nas mesmas sílabas, um leve pender para as esdrúxulas, desde sempre mais poderosas, sobranceiras no seu posto. uma carcaça seca atirada para um canto. dispo a pele oleosa como azeite, esperando que ninguém veja tal acto. o galo canta marcando sinal da sua presença e eu corto-lhe de imediato a cabeça. justifico-me de forma mais ou menos plausível, não suporto toques fora de hora, e depressa encerro o duche e deixo marcas de água na madeira polida, nova como um bebé enrugado, acabado de sair do ventre de uma mãe inexperiente. o meu oposto. nunca serei mãe. enxaguo o chão e a água não sai. os rios são feitos de lágrimas de pássaros, e não há pano que as encerre, as cale. minha alma é beija-flor, palpita rápido, rápido, o bater de asas atento. radar biológico. mente desperta, sangue concentrado nas pernas, tez branca como leite de cabra. pondero, olhando a casa. um corvo sai pela janela. o corvo sou eu. adeus, adeus meus amigos. não se trata de fugir, é talvez o acto mais puro de se ser livre.
jeudi, décembre 30, 2010
mardi, décembre 28, 2010
é agora. não, espera, fecha a porta, qual delas, a da esquerda, a mais antiga, vai ceder, talvez, então porquê fechar, é o ritual, já não conseguimos fazer as coisas de outra maneira, viciámos tudo isto e a bateria já só dura para meio dia, às vezes dois terços, se temos sorte e a coisa estica. vamos então para o telhado, vem aí tempestade, deixa-te ir, dá-me um cigarro, dois, pode ser, são os últimos, aguentas, não sei, se não aguentar vamos embora, para onde, para o lugar, vamos agora, não, ainda não é tempo, temos de permanecer no jogo, construir a personagem, a história, as intempéries, desavenças que a vida nos proporciona, para aprendermos, sim, estás certo, as lições. vá, toca-me, onde, na alma, não sei onde isso fica, nem eu, permaneceremos em silêncio, os velhos estão a dormir, em baixo, sempre gostaste de ficar por cima de tudo, sim, não há meios, só fins, os meios pouco importam, são meros figurinos, ajudantes de cenário, completas-me sempre, sabes que te amo, sei, hei-de o sentir, quando for a altura certa, amas-me também, julgo que sim, não se pode julgar sentir, por que não, porque é assim, estás pronta, estou. (...) como hei-de acabar este texto, então, como acabaste todos os outros, não me sinto preparada, não quero, eu corto o fio, espera. onde estás?
where is my mind?
where is my mind?
jeudi, décembre 23, 2010
vou tentar explicar o que penso acerca disto. eu não quero ninguém para mim! não suporto a ideia de ter alguém para mim! olhem-me o peso da responsabilidade, o peso da culpa que eu sentiria por ter alguém só para mim! só me quero ter. quero ter-me e quero ser do Senhor. não sou tão pretensiosa ao ponto de achar que sou um ser supremo. não passo de um robô perfeito, e estou cá para cumprir certa missão. não sou de ninguém e não consigo amar só uma pessoa. não dá para mim. como é que dá para vocês? e os outros, coitados? eu quero dar amor a toda a gente... eu quero amar toda a gente, muito, de forma intensa, pura, crua, cristalina... como é que alguém que ama, mente só para não magoar? isto não é amor... vocês não sentem amor... sintam-no. procurem-no. investiguem-no. amor amor amor não fujas!!! eu amo-te, amor! amo-te, meu Deus. a ti, a todos os que não conheço. porque existimos. e somos capazes de coisas tão belas. regozijo-me só de o pensar. um sentimento tão belo jamais deveria ser reprimido... e eu chego a culpar-me por o sentir...
nova entrada. terceira tentativa. dedos a tamborilar levemente na mesa. que hei-de escrever? que tenho eu para dizer? já falei do mundo, do amor, do coração, de mim e de todos vocês. já não me resta nada para dizer. quem me dera escrever alguma coisa... a inspiração deixou-me sozinha. já dura mais de uma semana. esqueço-o com comida e com a almofada. esqueço-o pensando que é só um tempo, uma leve ausência de luz num espectro de emissão que é a minha vida. a única coisa que tenho. quando julgo ter outras coisas, depressa elas arrebitam e mostram-me, de forma inconsciente, que assim não é. ontem disseram-me que só se ama uma pessoa. só deus pode amar toda a gente por igual. não, não, senhor, diz-me que não é verdade, ajuda-me a tornar-me mais forte, cada dia; eu não quero optar por ninguém, não suporto a ideia de amar só uma pessoa. não quero namorado, marido, amigo especial para aqui e para ali... eu amo toda a gente. terei algo de errado? por pensar em toda a gente, sonhar com toda a gente, preocupar-me com toda a gente? não me sinto capaz de exigir algo impossível para o humano como o é a fidelidade carnal. do alto dos meus catorze anos, espreito para cima e nada vejo... meus caros, é impossível ter mais idade do que aquela que tenho, pois as coisas são como são, para efeitos técnicos e espaciais, eu tenho efectivamente catorze anos... debato-me diariamente com problemas de massa equivalente à da Terra. tudo aquilo que não ultrapassar o real, será ultrapassado por mim. mas de resto, as verdadeiras questões, incógnitas, dúvidas... não sei não. vivo porque a morte ainda não me convenceu lá muito. deixem-me amar-vos a todos... nada mais peço do que isso. a vida custa, às vezes acho que não há nada que custe mais do que a vida. só me falta abrir o corpo e descobrir que não tenho coração. se no espaço dele descobrir uma bola de berlim... até escapa... até nem me importo. talvez.
lundi, décembre 13, 2010
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